6 de out. de 2009

EDUCAÇÃO PARA SECULO XXI

A Educação aqui é compreendida como processo de formação e de aprendizagem socialmente elaborado e destinado a contribuir na promoção da pessoa humana enquanto sujeito de transformação social, que transforma e é transformado.

A educação é o lugar adequado onde as pessoas se interrogam, refletem a seu respeito, onde deve haver debate e também uma constante procura. Pela educação deve – se ter ousadia de ir à busca do novo, conhecer o passado para construir no presente e planejar para o futuro sempre algo novo.


A evolução pela qual passamos tem exigido do homem moderno uma maior competência técnica e ao mesmo tempo provocado sérias mutações em padrões e valores vigentes. A escola deve assumir a função de integrar o homem com o mundo agindo com o propósito de diminuir a miséria humana.

De acordo com Morin

A educação deve favorecer a aptidão natural da mente para colocar e resolver os problemas e correlativamente, estimular o pleno emprego da inteligência geral. (...) Trata – se, desde cedo, de encorajar, de instigar a aptidão interrogativa e orientá – las para os problemas fundamentais de nossa própria condição e de nossa época. (2005, p.22)

Vivemos em tempo de globalização, impondo mudanças de paradigma para o tratamento do saber. É importante que nos conscientizemos de que o momento histórico exige de nós uma atitude difundida por Fazenda (1996) e que precisa ser vista pelos educadores pelo menos em três ângulos:
• Uma aquisição sólida de conceitos que possam ser aprofundadas e desenvolvidas em suas vidas;
• Um voltar – se para dentro de si mesmo, avaliando seu comportamento frente à vida e em que proporção sua existência se aproxima da teoria;
• Aquisição de uma metalinguagem, ou seja, que o professor aprenda a linguagem dos gestos, do olhar entre outras diferentes linguagens.

Cabe ressaltar ainda o que afirma Belloni , a escola da pós modernidade terá que formar o cidadão capaz de ler e escrever em todas as novas linguagens do universo informacional em que está imerso. (1998, p. 146)

Considerando esta realidade, cabe levantar o problema que desafia a educação na atualidade, qual seja a educação brasileira se preocupa em dar condições para que o aluno possa estar consciente de seus direitos e deveres de cidadão? O aluno quando sai da escola tem condições de entender como funciona a política, a economia, a exploração no trabalho? A escola está formando pessoas passivas ou agentes de transformação?

Temos que oportunizar várias linguagens e outros conhecimentos. A formação cultural implica abertura de outros campos do conhecimento. As imagens televisivas e as diversas mídias oferecidas à sociedade devem ser vistas como um campo para exercitar o pensamento, saber selecionar e ter uma visão crítica do que se pretende por traz daquela informação.

Exercitar esta reflexão crítica é muito importante por tratar – se especialmente de uma atitude e de uma opção de não adaptação no e com o mundo, mas reflexão para a compreensão e ação no sentido de mudar contextos sociais, numa perspectiva de se construir uma sociedade socialmente mais justa.

Uma educação que tenha isto como horizonte não pode ser uma educação fragmentada e também não pode ser uma educação unidimensional, isto é, que apenas desenvolva as capacidades para o mercado. Tem que desenvolver o conjunto de capacidades: ser bom cidadão, bom profissional, um sujeito máximo que pense muito, que reivindique seus direitos e se organize para concretizá – los. A construção da cidadania deve ser o ponto fundamental no processo educativo.

Para Grinspum (2001,p.35), a educação precisa buscar a compreensão desse contexto para situar o educando no significado do humano e na compreensão do mundo que o abriga.

Hoje o aluno dispõe de inúmeros meios de aprendizagem (rádio, televisão, jornais, revistas, internet, etc.) não necessitando necessariamente ligar – se a figura do professor, mas na perspectiva política o papel do educador é necessário, como afirma Moran (2007, p.18) “bons professores são as peças-chave na mudança educacional”. Como mediador entre saberes, cabe ao professor despertar o aluno para o mundo, para a criação, para um projeto de vida, a produção e a difusão de saberes.

Os multimeios e suas variadas formas de lazer e diversão transformam o ensino num desafio para os educadores. Como nos referencia Moran (2007, p. 38) “necessitamos dos educadores tecnológicos que nos tragam as melhores soluções para cada situação de aprendizagem, que facilitem a comunicação com os alunos (...) e que humanizem as tecnologias e as mostrem como meios e não como fim”.

Nesse sentido faz – se mister a busca de uma prática pedagógica que leve o aluno ao questionamento da problemática que envolve o seu estado, o seu país, uma prática voltada para a ética e a cidadania, formando assim um ser crítico-reflexivo. Cabe a nós educadores permitir que os alunos possam fazer uma reflexão profunda das mídias. Temos como papel fundamental despertar no aluno o lado oculto das mídias, lendo nas entrelinhas o que cada programa e /ou página está querendo oferecer. Cabe ressaltar ainda o que afirma Moran (2007,p. 54) “o desafio de educar é o de ir construindo pontes entre universos de significação diferentes, entre formas de compreensão contraditórias e de comunicação divergentes”.

As mídias são recursos importantes a serem incorporados ao cotidiano escolar, mas seus benefícios serão maiores à medida que lhes forem oportunizados a expansão da percepção de mundo e ampliação de aprendizagem, envolvendo os alunos em trabalhos cooperativos e solidários, num ambiente de autonomia e liberdade, permitindo – lhes assim a construção e reconstrução do conhecimento e acima de tudo construir – se e reconstruir – se diariamente como cidadãos.

Portanto precisamos de ações que nos levem a buscar uma nova sociedade, onde haja justiça como principal fonte para realizar a igualdade, a liberdade e todas as linhas de desenvolvimento do ser humano. A escola é um espaço de construção de identidades, de existência de práticas pedagógicas não-convencionais que promovem o convívio das diferenças culturais em busca da superação das desigualdades. Para isso precisamos lutar contra a exclusão e adaptar a educação à diversidade dos alunos; respeitar o direito a própria identidade e progredir no respeito pelos direitos humanos.

É preciso programar ações nas escolas que implementem uma prática inovadora, com propósito voltado para o compartilhar saberes e a interdisciplinaridade poderá favorecer estas aproximações.



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELLONI, M.L. Educação a distância. Campinas: Autores associados, 1999

DELORS, Jacques. Relatório-Educação: Um Tesouro a descobrir ( UNESCO, MEC) Cortez Editora- SP, 1999.

FAZENDA, Ivani C. Arantes. Interdisciplinaridade, História e Pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 1994.

GRINSPUM,Mirian P S Zippin. Educação Tecnológica: desafios e perspectivas. 2ª Ed. São Paulo:Cortez, 2001

MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá.Campinas São Paulo:Papirus, 2007

MORIN, Edgar. Educação e Complexidade: Os sete saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2002.

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